domingo, 19 de abril de 2026

Transparência Internacional não perdoa e associa declarações de Gilmar a práticas de regimes autoritários

Domingo, 19 de abril de 2026





A reação da ONG ocorre após a inclusão de Gilmar Mendes no relatório final da CPI do Crime Organizado, que tem Alessandro Vieira como relator. O documento também cita os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo o relatório, os citados teriam cometido crimes de responsabilidade, hipótese que pode embasar pedidos de impeachment.

Durante sessão da Segunda Turma do STF, realizada na terça-feira (14), Gilmar Mendes reagiu de forma contundente à sua inclusão no documento. O ministro também criticou a atuação do senador, que o acusa de tentar proteger colegas da Corte envolvidos em investigações relacionadas ao chamado caso do Banco Master.

No dia seguinte, o magistrado encaminhou pedido à Procuradoria-Geral da República para que Alessandro Vieira seja investigado. Na solicitação, Gilmar argumenta que o parlamentar teria cometido desvio de finalidade ao incluir ministros do STF no relatório da CPI, classificando a medida como uma “grave arbitrariedade”.

Em resposta, o senador afirmou que não se intimidará com as declarações.

“Ameaças não vão mudar o curso da história”, disse.

Na nota pública, a Transparência Internacional criticou o que chamou de deterioração dos padrões de conduta esperados de integrantes da mais alta Corte do país. A entidade afirmou que o uso do cargo para atacar um adversário político, sem possibilidade de defesa imediata, remete a práticas incompatíveis com o ambiente democrático.

A organização também cobrou posicionamento das instituições. Segundo a ONG, a ausência de reação do Senado Federal e de outros ministros do STF diante do episódio representa uma forma de omissão institucional. Para a entidade, a normalização de condutas desse tipo pode comprometer o funcionamento das instituições democráticas no país.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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