Lula nunca escondeu. Em 2012, num vídeo de apoio à reeleição de Chávez: "Naquela época, a esquerda só estava no poder em Cuba. Hoje, governamos um grande número de países." Repare no "governamos". Quem governa, na fala dele, não são presidentes eleitos. É o Foro.
Do ponto de vista dos totalitários, funcionou. O auge foi a destruição da Venezuela. E os números são do próprio Banco Central chavista, divulgados em maio: contração de 75% entre 2014 e 2020. O país mais rico do continente reduzido a um quarto do que era, com economia menor que a da década de 60! Sete anos apagaram cinquenta. A ENCOVI registrou 96% dos lares na pobreza. Sobre isso, censura, perseguição, tortura e mortes.
Na ilha-presídio cubana, a mesma pressão avança contra a ditadura que a esquerda sempre chamou de modelo.
E o Foro? Por décadas a militância de redação tratou sua existência como "teoria da conspiração". Quando negar ficou impossível, rebaixou-o a clube de encontro de partidos.
Só que o próprio Descondenado confessou o método. Em 2003 montou o Grupo de Amigos da Venezuela com a estrutura do Itamaraty para socorrer Chávez, e depois admitiu: "não era uma ação política de um Estado com outro Estado". Era ação entre companheiros.
Em 2012, os marqueteiros que elegeram Lula e Dilma tocaram a campanha de Chávez. Em delação homologada, Mônica Moura relatou ter recebido mais de US$ 10 milhões em dinheiro vivo, em malas entregues pelo próprio Maduro, saídos do caixa dois da Odebrecht e da Andrade Gutiérrez, as mesmas empreiteiras cujas obras no exterior o BNDES financiava.
Intervenção estrangeira, com dinheiro do contribuinte brasileiro.
Agora surge um arremedo de articulação da direita internacional, Milei sobe num palanque em São Paulo e diz algumas verdades sobre o regime. O PT corre à PGR pedindo investigação por "interferência estrangeira". Lula liga para Xi Jinping, e Pequim declara apoio à "soberania" do Brasil contra a "interferência externa".
O Partido Comunista Chinês avalizando a soberania brasileira... Leia novamente: a ditadura comunista chinesa garantindo a "soberania" do Brasil.
Quem passou 36 anos usando o Estado brasileiro para eleger e sustentar ditadores vizinhos agora posa de vítima de ingerência. Não é incoerência, é o método: chamam de crime contra a soberania algo que representa uma fração do que fizeram por décadas, e chamam de defesa da democracia a operação de escravizar nações inteiras.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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