domingo, 1 de fevereiro de 2026

Filho de ministro do STF é contratado para atuar em caso que será julgado por tribunal onde o pai trabalhou

Domingo, 01 de fevereiro de 2026






A entrada de Kevin no processo ocorreu depois que o caso chegou à segunda instância, após decisão de primeira instância favorável à ANP. A disputa judicial teve início a partir de uma interdição anterior, aplicada em setembro de 2025, durante uma operação conjunta realizada pela agência reguladora e pela Receita Federal.

Na ocasião, a empresa questionou a legalidade da medida, alegando falhas nos procedimentos internos adotados pela ANP. Em 18 de dezembro, a refinaria conseguiu uma liminar que suspendeu deliberações administrativas relacionadas às atividades da unidade.

Com a nova fiscalização que resultou na paralisação total da refinaria, a defesa voltou a acionar o TRF-1 poucas horas depois, pedindo a anulação da interdição mais recente. Os advogados sustentam que a agência reguladora teria desrespeitado a decisão liminar anteriormente concedida pela Justiça.

A petição apresentada ao tribunal é assinada por Kevin de Carvalho Marques e por outros três advogados. Entre eles está Jorge Berdasco, sócio do escritório ligado ao empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria. O pedido inclui a aplicação de multa à ANP e a solicitação para que o Ministério Público Federal apure eventual crime de desobediência por parte dos servidores envolvidos na operação de interdição.

Essa é a primeira atuação registrada do filho do ministro em processos relacionados à Refit. Kevin abriu seu próprio escritório de advocacia em agosto de 2024. Kassio Nunes Marques deixou o TRF-1 em 2020, quando foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro.

O conflito entre a refinaria e órgãos federais remonta a setembro do ano passado. Naquele período, ANP e Receita Federal acusaram a empresa de importar gasolina de forma irregular, com “provável” objetivo de obter vantagens tributárias consideradas fraudulentas. Segundo a agência reguladora, não havia indícios de que a unidade localizada em Manguinhos realizasse efetivamente atividades de refino.

Desde então, a Refit passou a acumular disputas judiciais contra a ANP. Durante a operação realizada naquele momento, autoridades apreenderam dois navios contendo 91 milhões de litros de diesel, avaliados em aproximadamente R$ 290 milhões, além de 115 toneladas de insumos importados destinados à produção de aditivos. A refinaria está situada no bairro de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A ação foi batizada de Cadeia de Carbono e apresentada como um desdobramento da operação Carbono Oculto, investigação da Polícia Federal que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis, incluindo o uso de estruturas financeiras para lavagem de dinheiro.

Dados da Receita Federal apontam que a Refit acumula mais de R$ 26 bilhões em dívidas e figura como o maior devedor contumaz do país. Ricardo Magro, dono da refinaria, vive há anos na Flórida, nos Estados Unidos.

O caso ganhou dimensão política em dezembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou o tema durante um evento público. Sem citar nomes, o presidente afirmou ter tratado do assunto com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazendo referência ao perfil de um grande devedor brasileiro residente em Miami.

“Eu liguei para o Trump dizendo pra ele que se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição”, afirmou Lula no evento. 
“E mandei para ele no mesmo dia a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustível fóssil, mora em Miami. Então, se quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí.”

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