sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ministra indicada por Lula vira alvo de convocação na CPMI

 Sexta, 16 de janeiro de 2026





De acordo com dados incluídos nos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) encaminhados à CPMI, o escritório de advocacia da ministra recebeu R$ 700 mil da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A. A companhia é apontada como ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

Os documentos elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que os repasses ocorreram entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período anterior à nomeação da magistrada para o STM. Ainda assim, o volume e a origem dos valores levantaram questionamentos no âmbito da investigação parlamentar.

No requerimento apresentado, Magno Malta sustenta existir uma “contradição factual” entre a versão de que se trataria de uma contratação “técnica e regular” e a “fria constatação documental de um vultoso recurso saindo de uma empresa que operava na penumbra”. Para o senador, mesmo não havendo coincidência temporal com a posse no tribunal, os fatos exigem esclarecimentos formais.

Segundo Malta, a convocação tem como objetivo permitir que a ministra detalhe a “natureza, extensão e regularidade” dos pagamentos recebidos por seu escritório. O parlamentar afirma que a CPMI precisa compreender o contexto das transações para avaliar eventual conflito ou irregularidade.

Em resposta, a ministra do STM declarou, por meio de nota, que o valor recebido corresponde à elaboração de três pareceres jurídicos sobre temas criminais relacionados à atuação da empresa contratante. Ela também afirmou que não tinha conhecimento de qualquer vínculo entre a ACX ITC e o Careca do INSS.

As suspeitas em torno da empresa, no entanto, foram aprofundadas pela Polícia Federal. Segundo a PF, a ACX ITC integrava o esquema de lavagem de dinheiro comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes. As investigações apontam que a Arpar Participações e Empreendimentos, empresa ligada a Antunes, transferiu ao menos R$ 4,4 milhões para a ACX ITC.

De acordo com os investigadores, a Arpar funcionava como uma empresa de passagem, utilizada para ocultar a origem dos recursos e dificultar a identificação de seus beneficiários finais. Essas conexões reforçaram o interesse da CPMI em ouvir a ministra para esclarecer os repasses mencionados nos relatórios oficiais.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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